terça-feira, abril 09, 2002

já me aconteceu inventar uma pessoa a partir de uma pessoa que existe: uma diferente, parecida com o que eu gostava que ela fosse. a partir daí vou omitindo o que não se parece com a pessoa que inventei.
quando dou por isso fico aborrecida. é uma sensação desagradável, porque o afecto foi genuíno, o objecto desse afecto é que não existe. desperdicei afecto.
depois, acabo por achar que foi só mesmo uma parvoíce minha.
afinal cada um é o que é, e eu gosto de muita gente que não é inventada.

terça-feira, abril 02, 2002

perto de vinte artigos sobre prevenção da diabetes tipo 2, cds, cinzeiro cheio, isqueiro e cigarros, o mac azul e os seus apêndices, mais a tralha habitual que vai ficando de umas vezes para as outras: um alicate, um livrinho com imagens de anjos, um programa de um seminário em Port de la Selva, um pote de iogurte grande ponto com canetas, lápis, tesoura e duas espigas de trigo, um impermeável azul num saquinho de plástico, o livro do Alberto Caeiro, três pensos rápidos, o envelope de um bilhete de avião já gasto...
assim está hoje a minha secretária.